Reabilitação física

A reabilitação visa fundamentalmente a restauração da “função” seja ela motora e/ou cognitiva,
portanto, pautada no bom senso e dentro das limitações impostas pelo caso, deve ser incluída na filosofia da convivência diária.

O objetivo principal da reabilitação é o de restaurar ou maximizar funções perdidas ou diminuídas.

É importante entendermos que a reabilitação não encerra um fim em si mesma; é, na realidade, a primeira etapa que visa reduzir a carga gerada à sociedade pelas pessoas deficientes física e mentalmente e, assim sendo, todos os indivíduos devem receber esta abordagem, no sentido de promover um nível máximo de independência e bem estar.

Muitas vezes, dependendo do tipo de doença, a grande questão é: por que reabilitar se o curso da doença é inexorável?

Sabemos por exemplo que a doença de Alzheimer pode acometer indivíduos com boa saúde física e as estatísticas têm indicado sobrevidas de 20 anos de duração.

Há muito pouco tempo estimava-se que, em média, esses pacientes faleciam nos 5 ou 8 primeiros anos após o diagnóstico, porém isto está mudando, com certeza em função de uma atitude menos passiva frente as intercorrências clínicas e a sua prevenção e também quanto aos cuidados específicos dirigidos ao paciente.

Se estamos frente a um doente que pode viver em condições de saúde relativamente boas do ponto de vista físico e, se sabemos que a evolução da doença é lenta, porém, inexorável, terminando por levar o indivíduo ao estado terminal, acamado com vida apenas vegetativa, porque não tentarmos desacelerar ou mesmo retardar o aparecimento destas complicações que afetam de forma dramática a qualidade de vida desses indivíduos?

A experiência tem demonstrado que, se bem cuidados, pacientes que recebem abordagem e enfoque terapêuticos baseados na filosofia da reabilitação possível, não só apresentam melhores condições de vida e de convívio, como também raramente são institucionalizados precocemente e, acima de tudo, apresentam, na imensa maioria dos casos, melhoria substancial de suas condições cognitivas e funcionais.

É importante que nenhum paciente seja discriminado em termos de reabilitação. Que seja privado desse direito.

Reabilitar um paciente idoso e frágil é sempre uma tarefa árdua e a avaliação dos progressos conseguidos é difícil de ser quantificada.

Mas, mesmo assim, os resultados altamente positivos nos animam a continuar perseguindo este ideal.

Os pacientes que têm indicação formal desse tipo de abordagem mais complexa são aqueles que foram vítimas de AVC (derrames), portadores de doença de Parkinson, fraturas de fêmur ou que sofreram amputação de membros.

Pacientes com doenças sérias e debilitantes também se beneficiam imensamente com essa abordagem; pós-operatórios de grandes cirurgias, cirurgia cardíaca,pneumonia, infarto do miocárdio e outras doenças graves.

Mesmo os idosos com graves problemas mentais e neurológicos são favorecidos com a reabilitação.

A rigor, todas as pessoas idosas deveriam receber uma abordagem com vistas à no mínimo manterem suas capacidades físicas ou mentais preservadas por meio dessa ainda nova filosofia.

Reabilitar também é prevenir, é tentar devolver às pessoas a habilidade que foi perdida e de manter as capacidades remanescentes.

Quanto mais cedo começarmos o programa de reabilitação, maiores serão as chances de sucesso.

A reabilitação em geriatria tem particularidades.

A recuperação é mais lenta em função de problemas relacionados com enfermidades limitantes pré-existentes como; doenças cardiovasculares, depressão, demência, diminuição da força e da massa muscular, menor flexibilidade, menor mobilidade das articulações, dificuldades na coordenação motora além da diminuição da agilidade e da velocidade dos reflexos.

Outro aspecto importante da reabiltação em geriatria é que quando estamos tratando e recuperando uma área específica, também estamos reabilitando e prevenindo perdas em outras áreas.

Por exemplo, quando se treina a marcha, estamos aumentando o tônus muscular e melhorando o condicionamento cardiovascular, quando damos um determinado comando estaremos estimulando as funções cognitivas etc.

Esses aspectos particulares impõem que a equipe seja criativa e explore ao máximo esse tipo de benefício, indireto, porém extremamente positivo.

Ao contrário do que muitos pensam e aceitam como verdade, mais um dos vários mitos sobre o envelhecimento, conhecido como ageísmo (preconceito contra a idade), a maioria dos idosos continua ativa e desejam continuar vivendo com independência em seu círculo social.

O envelhecimento traz consigo uma série de mudanças de ordem emocional e psicológica que também deve ser levado em conta.

Existe uma imensa variabilidade das taxas e nos padrões de envelhecimento entre as pessoas.

As pessoas são diferentes e envelhecem de maneira diversa.

De uma maneira geral há uma maior dificuldade na realização de tarefas complexas que envolvem ações simultâneas nas quais vários sistemas e órgãos devem trabalhar de maneira coordenada e integrada.

Pessoas idosas, por cultura, hábito e pelas eventuais limitações de ordem física e emocional, costumam tolerar pouco a realização de exercícios físicos. Esse fato é particularmente verdadeiro em homens.

Fatores como; freqüência cardíaca máxima diminuída, menor volume sistólico, dificuldades no desempenho do sistema nervoso autônomo, dificuldades na regulação do fluxo sanguíneo periférico, associados aos problemas específicos do paciente, acabam por determinar uma menor adesão aos programas de reabilitação resultando em um progresso mais lento no sucesso e no alcance dos objetivos pré-determinados.

O declínio da capacidade visual e auditiva também pode trazer dificuldades adicionais ao processo.

O paciente pode não enxergar direito o ambiente e/ou não entender bem os comandos verbais.

A diminuição da memória recente, problemas no entendimento e comprometimento da racionalização, quando são instados a realizarem alguma ação, podem estar determinando que o desempenho seja pobre e/ou nulo e, dessa maneira, não pode ser confundido com falta de motivação e/ou com pouca vontade de cooperar.

A redução da velocidade motora, além dos problemas relacionados com o equilíbrio e a instabilidade postural, impõe que o ambiente onde a atividade se desenvolve esteja devidamente equipado com artefatos que garantam a segurança e a prevenção de acidentes.

Normalmente os programas são realizados 3 vezes por semana.

Em alguns casos os pacientes nos outros dias devem ter uma lista de atividades para realizar em suas casas.

Os programas de reabilitação devem ser personalizados, valendo a máxima, cada caso é um caso.

Sempre que possível os familiares devem estar envolvidos no processo agindo como elementos adicionais de motivação e estímulo.

Deve-se sempre lembrar que as pessoas idosas não são iguais porque tem a mesma idade. Pelo contrário, são diferentes porque têm necessidades e limitações específicas que devem estar contempladas quando se constrói a estratégia do processo de reabilitação.

Se bem que esses programas devam ser preferencialmente individualizados, nada impede que algumas atividades sejam realizadas em grupo.

As atividades em grupo são prazeirosas, menos estressantes, mais bem-humoradas e permitem além da reabilitação em si a socialização e o laser.

É difícil falar hoje em dia em reabilitação sem falarmos em trabalho de equipe multidisciplinar.
Uma combinação de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, aconselhamento psicológico e apoio social, entre outros, é uma equipe de alto padrão de eficácia no sentido de recuperar e/ou manter padrões de independência física.

São nessas reuniões que ocorre a troca valiosa de informações que vai determinando o melhor caminho a ser seguido e os objetivos a serem alcançados. Por exemplo, um paciente pode estar indo muito bem em uma determinada área, mas mal em outra. Se o profissional dessa área for avisado poderá dar a sua contribuição e o processo ganha em eficácia e sucesso.

Indicamos:
http://www.5u.com.br/category/reabilitacao-fisica/